segunda-feira, agosto 8

POESIA POPULAR

Conta as aventuras de dois Espantalhos, “O Do Bordão” e “O Filho do Falido”, que guardam as hortas dos dois “pais”, e que quando se apanham sozinhos, desatam a fazer partidas. Entre os dois, continuam a ter a amigável rivalidade dos “pais”.

MOTE

O Falido fez um boneco,
Que não faça outro, outra vez,
É um vaidoso, um tareco,
Tem as ventas de quem o fez.

I
É nas terras do Carolino,
Que mora aquele terrorista,
Tem tanta força na vista,
Que até espant’os passarinhos.
Já lá não fazem ninho,
Nem moram ali tão perto,
E pelo seu medonho aspecto,
Não há ninguém que o grame,
Enfiado num arame,
O Falido fez um boneco.

II
É tão esquisito, é tão estranho,
Berra, zurra, grita e relincha.
Correu atrás do “Caguincha”,
E maltratou o João Castanho.
Diz que pegou num “tanganho”,
Fez fugir mais dois ou três.
Foi ter a “Pedro Tourês”
Não há ninguém que o segure,
Digam a pai que o ature,
E não faça outro outra vez.

III
Quando o pai parte pr’a vila,
Pensa logo em artes manhosas,
Vai assustar o “Santoza”,
E meter medo ao João Mochila.
O Jaime não se admira,
Das manhas do badameco,
E como vive ali tão perto,
Chama-lhe parvo e tolo,
Diz que o quer correr ao”bolo”,
Por ser vaidoso e tareco.

IV
-Eu no mundo sou campeão,
Já desde a era de Cristo,
Agora vou ao S.Francico,
Fazer guerra ao do “bordão”!!
-Anda cá Napoleão!,
Pagas tudo duma vez.
Falas na língua de francês,
Assim arrogante e atrevido,
Se és o filho do Falido,
Tens as ventas de quem te fez.

Alexandre Malheiro
-poeta popular-

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