IC 13 – “Ver para Crer”, como S.Tomé
Muito se tem escrito nos últimos tempos sobre a construção do IC 13. Obra considerada estruturante para o nordeste alentejano, a promessa da sua realização remonta aos finais do século XIX. Prevê-se agora que a execução da mesma comece ainda no século XXI estando garantida para já a execução de um troço. A demora na concretização do projecto global tem sido tanta e o estudo inicial sujeito a tais alterações que, nesta data, já não é conhecido o seu traçado final.
Já não têm conta as vezes que às populações interessadas foi garantida ao longo dos anos, com calendarização de prazos e outros requisitos afins a execução desta obra. Por isso, a máxima “finalmente é desta” está tão gasta, que agora já só se acredita no “ver para crer” como S. Tomé.
O problema do atraso na construção do IC 13 a que podemos associar a barragem do Pisão como obras emblemáticas com interesse para o nosso concelho e que justamente se podem enquadrar na designação de obras de S. Engrácia, assentam em causas actuais e remotas.
Como causas actuais, cada vez mais preocupantes, temos o problema da desertificação do interior com um decréscimo acentuado da população nas ultimas décadas e a consequente diminuição da representatividade política do nosso distrito na Assembleia da República. A lógica da lei eleitoral atende ao número de eleitores de cada zona e não ao espaço territorial, por maior que seja, nem a necessidades de desenvolvimento desse espaço.
Como causas remotas do não desenvolvimento do Alentejo podemos seguir de perto a interpretação sociológica da historia de Portugal feita por António Sérgio e a incidência no campo económico da teoria das “duas politicas nacionais”, ou seja a da Fixação (trabalho, investimento, organização e produção) e a dos Transportes (comercio, conquista, privilegio e improvisação). Com a descolonização só efectuada por Portugal no último quartel do século XX, ao contrário das outras potências coloniais europeias, é ponto assente que o triunfo da teoria da Fixação teria alterado por completo a situação do Alentejo se fosse possível executá-la no início do século anterior. Incluída nas reformas de Mouzinho da Silveira, a politica da Fixação, exigia a reforma do regime de propriedade a que não foi possível dar continuidade em virtude dos projectos de Ezequiel de Campos, ministro da agricultura do Governo de José Domingues dos Santos, transformados em proposta de lei em 12/01/1925, como Lei da Organização Rural, não terem chegado a ser discutidos no Parlamento, devido ao golpe militar de 28 de Maio 1926 e ao regime político que se seguiu.
João Aurélio Raposo
segunda-feira, março 14
COLABORAÇÕES
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A.Mello-Alter
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3/14/2005 01:31:00 da tarde
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Se me permitem uma opinião, penso que não será necessário recuar tanto no tempo para explicar o sucessivo adiamento da construção do I. C. 13...
ResponderEliminarAcontece simplesmente que se trata de uma obra do Estado e, muito sinceramente (apesar de potencial utente habitual...), não me parece que seja, de facto, uma verdadeira prioridade do Governo, com tanto que falta ainda fazer do Plano Rodoviário Nacional!...
Contudo, o mesmo já não se diria caso esta estrada fosse REGIONAL, ou seja, se estivesse a cargo de uma qualquer Região Administrativa do Alentejo, ou parecida. Isto é, para um tal poder político, emanado do eleitorado REGIONAL e com competências e meios para executar obras classificadas como REGIONAIS, já me parece que poderia ser uma obra prioritária (a menos de outras prioridades ainda mais urgentes, a discutir obviamente pelo eleitorado REGIONAL)!
Onde é que eu quero chegar? Aí mesmo, à necessidade de caminharmos rapidamente para uma adequada REGIONALIZAÇÃO (que, entendamo-nos, não tem RIGOROSAMENTE NADA a ver nem com a brincadeira irresponsável da "descentralização tranquila", ensaiada pelo EX-Ministro Relvas, nem com o espalhafato inútil e patético da pulverização dos gabinetes governamentais pelo território nacional, que felizmente já lá vai!), como forma de resolver os problemas que, de facto, transcendem o poder municipal, mas são irrelevantes (ou quase...) para o Poder Central.
Basta ir aqui ao lado, a Espanha, para ver como tudo isto está facilmente ultrapassado (na Andaluzia, por exemplo, há as estradas nacionais, as municipais, mas as A-qualquer coisa, pois bem, essas pertencem à tal rede de estradas REGIONAIS!), há décadas...
Caros amigos, a minha firme convicção é que até que a Regionalização seja bem discutida, percebida, interiorizada, reclamada e, finalmente, concretizada, bem podemos esperar pelo famigerado I. C. 13, ou por muitas outras coisas...