segunda-feira, fevereiro 15

Correio dos Leitores

Olha aí meu. “Chibaram-me” que tas a promover uns Jogos Florais sobre a Rádio Álamo. Eu acho que versalhadas é p’ra rotos e gajas. Mas se dá “arame”, podes crer, eu vou nessa. Em tempo de crise, tudo o que vem á rede são aérios.

Cá vai.

Sem entrar por maledicências

Temos esta, e viva o velho

No ranking das audiências

É a melhor do concelho.

Há alegria nos ares

Passa fado, pimba e dança

Toca em empregos e lares

Na Cunheira, Seda e Chança

Os locutores são chaparros

O patrão, gato-pingado

Ouvi-la dentro dos carros

Inté limpa o mau-olhado

Há gente que não a grama

Chamam-lhe rádio fatela

Famílias topo de gama

Os Constantino, os Catela…

Os Reis, estão divididos

Há quem goste e outros não

Correram por dois partidos

Nesta última eleição

Não sendo trouxa, o Cachucho

Ele só perde por engano

Perde o Correia, ganha o Bucho,

Os padres, o Joviano

P’ra terminar um aviso

Assim em forma de quadra

Não mostra ter muito siso

Quem sua mulher não guarda

Ouvindo o doutor Calçadas

A locutar com tal brio

Ponham-se a pau, camaradas

Cuidem bem do mulherio

Felizardo Montanelas

(o gavião do Outêro)

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PS: O amigo desculpe se o poema é curto, mas sempre ouvi dizer que o tamanho não interessa. Vá preparando o “guito” que isto tá no papo.

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Nota do editor: Não sei quem “chibou”, mas há aí um grande engano. O Crónicas do Planalto agradece todas as colaborações desinteressadas. Mas essa do prémio, só pode ser brincadeira. E você é um pouquinho machista, não?

domingo, fevereiro 14

Na Hora

A Loira do PSD, Pacheco Pereira, apelidado pelo Lopes de Cavalgadura do Círculo, está na SIC Notícias a "cagar postas de pescada".

Para o Mello

O Mello é fogo que arde sem se ver

É ferida que dói e não se sente

È um contentamento descontente

É dor que desatina sem doer

...

QUALQUER DIA AINDA LHE PARTO UM DENTE

...

É um poço de escárnio e maldizer

É veneno ainda por destilar

Diz mal de tudo e não quer saber

Diz coisas de fazer corar

...

SE O APANHO PONHO-O A VOAR

...

Escreve com altivez

Defende a sua crença

Mal espera a sua vez

Pra cagar sentença

....

Isto é tudo adaptado

Falta-me a imaginação

O meu cérebro tá esgotado

Tiveram q me dar uma mão

...

O Camões ajudou

A Espanca deu o mote

Nunca nenhum pensou

Vir parar a este trote

...

Nota do Editor: Esta senhora tem uma grande pedrada. Sim, é o mesmo encosto. Como é que eu me livro dela?

Para o Mello

Eu quero bater, bater perdidamente! (no Mello)
bater só por bater: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...(basicamente o Mello)
Bater! Bater! E não perdoar ninguém! (já disse, o Mello)

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem? (estamos a falar do Mello)
Quem disser que se pode bater em alguém (no Mello)
Durante a vida inteira é porque mente! (ele foge)

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar... (com o Mello e bater, bater, no Mello)

Nota do Editor: Perguntar-me-ão e muito bem, porque é que eu edito este atentado á memória de Florbela Espanca? É simples. “Isto” foi-me enviado por uma senhora, ou mentalmente desequilibrada, ou sob o efeito de alguma substância ilegal. Mas como jurou que se eu não editasse, cortava os pulsos, aqui deixo umas das mistelas que me enviou.

Ninguém Vive Sem Religião

Resumo do Sporting/Benfica (numa imagem)

Soneto Anti-Valentim

Estar assim condicionado

A datas pré-definidas

Como ovelhas dirigidas

P’lo pastor e cão do gado

Torna o homem comandado

Sem ter metas estabelecidas

Sem mandar nas suas vidas

Autómato e amestrado

Quer seja Santo, ou Loureiro

Não há Valentim que o valha

O namoro é o ano inteiro

Não vale a pena comprar tralha

Guardem o vosso dinheiro

Que a crise está p’ra durar


(Jaquim Carrapato)

sábado, fevereiro 13

Diário Lampião

Benfica 1 -0 Belenenses

Golo: Cardozo

Os Escravos do Amor

“Quando em Janeiro de 1915 eu embarcava para a África como expedicionário ao Sul de Angola, quiz o acaso dar-me por companheiro de viagem um rapaz natural da vila de Chança, com quem me relacionei desde o primeiro dia de embarque.
Foi, pois, a bordo do pequeno «Insulano» que aquele meu amigo me contou uma história que nunca mais me esqueceu e que sempre me há-de lembrar.
É uma história triste e comovente, àcêrca de certos amores…que me disse ter ouvido um dia a seus avós, e a mesma que se fala mais adiante nêste livro.
Tendo regressado à Metrópole, ainda nos fins dêsse ano, por falta de saúde, fui durante a convalescença de 40 dias, que me foram arbitrados para gosar na terra da minha naturalidade, que tive a ocasião de ir a Chança colher a maior soma de informações que me foi possível, àcêrca deste caso.
E vendo excedida tôda a minha espectativa nas diligências perscrutadoras a que então procedi, não obstante a data já longuínqua dos factos e a falta lamentavel de certos documentos e atendendo ainda ao pedido insistente dalguns amigos, não pude resistir à tentação de escrever êste romance, se romance se lhe pode chamar, atendendo na pobreza do estilo e na humilde singeleza da sua linguagem.
Valor literário, sei, portanto, que nenhum tem. Porém, resta-me a consoladora convicção de que a sua leitura a ninguêm fará mal, e antes a muita gente poderá fazer bem.
É esta a única glória a que posso aspirar.
Já em meados de 1916, êste modestíssimo trabalho dera entrada numa das principais casas editoras do Pôrto. Mas, por motivos cuja explicação ao leitor se tornaria prolixa, tive de esperar que decorresse um certo tempo, e daí a razão porque só hoje aparece à luz da publicidade.

Lisboa, 8 de Janeiro de 1925.

O autor”

Joaquim da Silva Godinho


Nota: Se alguém tiver o livro, ou alguma informação sobre o autor, agradeço que me contactem.